ESG – uma nova forma de administrar

Maria Flavia Curtolo Reis[1]

Lucas Reis Aceti[2]

O ambiente corporativo, assim como todas as demais formas de interação da sociedade, precisa se adaptar às novas realidades que surgem com o passar dos anos. A forma de administrar, que nos anos 90 era eficaz, hoje pode ser um desastre.

Já não se pode pensar em liderar uma corporação sem considerar os fatores ambientais e sociais e sem entender como a sustentabilidade agrega valor à empresa.

A sigla ESG (que em inglês significa Environmental, Social and Governance) traduzida para o português é ambiental, social e governança. 

São as “boas práticas” que as empresas devem adotar se quiserem se manter competitivas e sustentáveis nos próximos anos.

Em 2018, a London Business School foi palco do 11º Simpósio Anual de Patrimônio Privado, cujo tema foi “O futuro do patrimônio privado: oportunidades e desafios”. 

Veja que o assunto já é debatido há bastante tempo e as empresas que ainda não entenderam a importância do assunto precisam se atualizar o quanto antes.

A seguir, passamos um resumo da palestra de Ioannis Ioannou, professor de Estratégia e Empreendedorismo, associado da London Business School, cujo tema foi “A ascensão da empresa responsável.” 

O professor inicia afirmando que todas as empresas atualmente enfrentam algum tipo de pressão social ou ambiental. E que isso acontece por causa do aumento da expectativa das pessoas com relação a essas empresas.

Espera-se das empresas que além dos benefícios econômicos elas contribuam para melhoria do local em que atuam e respeitem o meio ambiente. Elas devem ter um impacto positivo sobre a vida das pessoas. Preocupar-se com as questões sociais e ambientais.

Ele destaca que quanto mais poder essas companhias detêm, maior a sua responsabilidade.

O professor Ioannis menciona o ranking da Global Justice e que das 100 maiores entidades econômicas do mundo, 69 são companhias e apenas 31, países. E ainda que as 10 maiores no ranking possuem uma receita maior que as 180 últimas nações listadas.

São dados muito impactantes e através deles é possível mensurar o que essas empresas representam globalmente e a responsabilidade que elas carregam.

Ele citou como exemplo a Unilever, uma empresa que alcança cerca de 2 a 2.5 bilhões de pessoas com seus produtos diariamente. 

As empresas estão trazendo para suas análises estratégicas as questões relacionadas ao ESG e indo além do mero compliance, de saber se sustentabilidade é ou não rentável.

Estudos têm demonstrado que a performance financeira das empresas é melhor quando as questões sociais e ambientais são consideradas.

Some-se a esses fatores a captação de recursos. Os analistas entendem que as empresas que adotam ESG em suas estratégias são mais transparentes e oferecem menor risco a curto e longo prazos.

Outro ponto que merece atenção, nas palavras do professor, é a relação entre o “discurso” e os atos da empresa. Quanto mais antagônicos, maior é o impacto negativo para os investidores e consumidores. 

Tanto os acionistas quanto os consumidores se preocupam com a adoção REAL de medidas ecológicas. Ele comentou sobre o “greenwashing” (que é o acobertamento de práticas nada sustentáveis como se na verdade fossem) e disse que empresas são muito cobradas sobre isso e não pela simples sustentabilidade.

O professor identifica 4 pilares para as companhias responsáveis:

Governança corporativa: (Governance) as empresas adotam políticas internas de responsabilidade e oferecem incentivos aos seus executivos e empregados através de métricas financeiras e não financeiras; 

Engajamento dos participantes: (Stakeholder engagement) engajamento dos participantes em todas as etapas do processo, não de forma aleatória, mas do começo ao fim, processo estruturado; 

Transparência e prestação de contas: (Transparency and accountability) transparência e reponsabilidade na coleta de dados de ESG, maior qualidade nas divulgações, disseminação de padrões de ambientais, sociais não só na empresa mas em toda a cadeia de relacionamentos a ela ligada.  

Capacidade de tomada de decisões: (Time horizon of decision making) Existe um equilíbrio entre as questões financeiras e não financeiras bem como as estratégias e objetivos de logo e curto prazos.

Assista ao vídeo na íntegra.

Imagem meramente ilustrativa

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[1] Advogada. Pós-graduada em Direito de Empresas. Especializada em Direito Empresarial Ambiental, Direito Contratual e Obrigações Financeiras. Integrante da Aceti Advocacia www.aceti.com.br

[2] Graduando em direito pela UNIFEOB. Estagiário da Aceti Advocacia www.aceti.com.br

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